terça-feira, 28 de outubro de 2008

Um quarto de loucura


O quarto de cima foi cúmplice de todos os meus pecados. Tantos que cada tijolo por trás daquela pintura suja de tempo e cimento deve guardar um na memória. Para cada móvel de madeira escura, uma confissão. Para cada quadro, um pedido: agonizante, para "O grito"; depressivo, para um Picasso cujo nome não lembro; e pedidos ordinários de chuva ou sol para aquelas obras vagabundas sem assinatura. E na greta da janela que mal iluminava o ambiente, morava a esperança de lucidez além daquelas paredes estreitas.

domingo, 26 de outubro de 2008

Quadrilha

Ratinho amava Ana Prego que trazia os produtos pra Zé Bala
que foi chefe de Tonha que tinha caso com Neguinho que ameaçou Tininha
que não tinha antecedentes criminais.

Ratinho foi para a Colômbia, Ana Prego para o presídio,
Zé Bala morreu de tiroteio, Tonha ficou para cafetina,
Neguinho teve overdose e Tininha matou Dom-dom
que era recém-chegado no morro, ameaçando tomar sua boca.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dia do Professor

E no final das contas a pró Terezinha voltou para casa feliz por, ao menos naquele dia, não ter sido convidada pelos seus lindos pupilos a ir para o diabo que a carregasse.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Burrocracia II


Como aceitar que, na Bahia, minha cidade é uma da dupla que reelegeu prefeito com o Ministério Público no encalço? E aí começam os absurdos do último 5 de outubro.

Era um vez quatro candidatos à prefeitura da cidade. Um deles, o atual prefeito, corrupto; a segunda, talvez fantoche de certo grupo político; o terceiro, o candidato reconhecidamente certo, ficha-limpa, mas sem muita popularidade e peso político; e um quarto que sequer fez campanha, constando apenas para dar o direito de candidatura a um certo vereador.

Muitos "corrige" e "confirma" depois, o corrupto se reelege e o quarto candidato obtém mais votos em algumas seções do que o candidato terceiro. Deprimente! Eleição é o quê? Brincadeira? "Eu sou retardado", afirmou um eleitor de Paulo da Vila.

Para completar, a moda de artista de elegendo chegou até lá. Se bem que nem artista aquilo pode ser considerado. Até minhas paródias de escola eram melhores. Ah, orifício bucal... campanha ao som de "money, it's a crime"...

O fato engraçado é que certo artista local, esse sim digno do nome, afirmou ter sido contratado para criar um jingle para a campanha de uns dos candidatos: "me dá um voto e eu te dou 10 conto, me dá dez voto e eu te dou 10 conto", canta o empréstimo de "Libera o Toim".

Outra particularidade da cidade são os diminutivos. Dos 9 vereadores eleitos, 6 têm apelidos "carinhosos": Carlinhos, Juninho, Ninho, Celinho, Zelinho e Marquinhos. Sem contar o prefeito, cujo nome não cito porque não falo palavrão e não vinculo conteúdo baixo por aqui.

Depois de tudo isso, é pra rasgar o título!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Burrocracia

Eu queria escrever sobre o maior números de imbecilidades já registrado numa eleição, mas por enquanto fico num simples "bem feito, vocês vão ter o governo que merecem" a todos os jacuipenses que colaboraram para consolidar o maior esquema de corrupção que a cidade já viu.

Preparem-se para a escassez monetária, porque, se ninguém liga para o que é desviado, fraudado e superfaturado, o que dói mesmo é o próprio bolso.