segunda-feira, 25 de maio de 2009

depressão

El guitarrista viejo, Pablo Picasso

é teimosa, insistente
é de mim qual minha sombra
é de ir e vir, sol poente

penetra na festa
penetra é
me ata, me prende, me infesta

pálida figura atrás da cortina
ator maquiado de alva timidez
medroso da janela, da vida lá fora

o muro não esconde minha casa
a máscara não oculta a verdade
meu rosto não disfarça a tristeza

eu me sofro, não o quero
não sorrio, sou rio
de caudaloso percurso

o vício em substâncias mágicas
promessas de alívio não tão fantásticas
no peito a dor, fisgadas esporádicas

o jornal folheado
a televisão ligada
a comida estragada

água limpa é vaga lembrança
sensação sucumbida ao suor grudento
é o que desejo, é minha esperança

a roupa precisa ser trocada
a porta está trancada
há passos na sacada

renego a todos, só não à solidão
que me acompanha na sombria
hora de dormir

vazio e fragilidade
eis-me em dois substantivos
tão abstratos quanto a egoísta existência

depressão maldita
maldita
depressão

5 comentários:

  1. Com a licença da amiga Gi, do Estúdio, para alterar o seu poema.

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  2. Olá, vi o link do seu blog no orkut e achei muito interessante... Comentei só para registrar minha passada por aqui

    =D

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  3. Gostei, em especial, do trecho:

    "o muro não esconde minha casa
    a máscara não oculta a verdade
    meu rosto não disfarça a tristeza"

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  4. Prozac ou Sertralina...
    Lindo.
    Bjs

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