quarta-feira, 9 de novembro de 2011

choro

 Chorinho, Portinari

choro
a lágrima de um chorinho bem executado

as notas, os acordes, a melodia alegre
à festa!
o cavaquinho inzoneiro, choro
o bandolim faceiro, choro
o violão de sete cordas e sete são as notas
o pandeiro modesto, choro
a flauta açucarada, choro

à pândega de hoje à noite!
sob um pedacinho de céu estrelado
um sujeito miúdo, brasileirinho,
ele, que mulato assanhado,
toca seu instrumento com força e delicado
dá-lhe urubu malandro, seu apelido de noites cariocas
sujeito brejeiro, não obstante carinhoso
um tico-tico aqui, um tico-tico lá
entre um solo e outro, às damas
um doce de côco, uma receita de fubá
apanhei-te, cavaquinho!
e vais chorar toda a madrugada

In: Das Ideias (2010)
.

3 comentários:

  1. Entre a saudade e a boêmia.


    abraços!

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  2. Deu até uma vontade de ouvir um chorinho...

    Bem musical o poema Caio.
    Musicalidade doce e bem empolgante.
    A arrumação das palavras tá "da hora"
    Gostei mesmo.

    "entre um solo e outro, às damas
    um doce de côco, uma receita de fubá" (que gracejo)

    Abç.

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  3. falou de choro.
    tocou no meu tendão de aquiles...
    muito bom, caio!

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